O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, exprimiu, em Kinshasa, gratidão pelos bons ofícios do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, para o fim do conflito no seu país, tendo enaltecido o seu “sentido de equilíbrio e engajamento permanente com a paz regional e continental”, noticiou a imprensa congolesa.
Citado ontem pela imprensa congolesa online, o líder congolês falava quando recebia, sexta-feira, cumprimentos de Ano Novo do corpo diplomático acreditado na RDC. Na sua intervenção, abordou sobre a convocação do chamado “diálogo nacional inclusivo”, questão levantada dentro e fora da RDC, o qual deverá servir para discutir, entre outros assuntos, as causas profundas do conflito e a crise humanitária por que passa aquele país.
“Reafirmamos a nossa abertura ao diálogo entre as várias sensibilidades do nosso povo. Um diálogo pacífico, inclusivo e resolutamente republicano, com o objectivo de fortalecer a coesão nacional, sem nunca pôr em causa as instituições estabelecidas pelo sufrágio universal”, disse Félix Tshisekedi.
No entanto, condicionou a realização do esperado diálogo, esclarecendo que um diálogo interno, nas suas palavras, “por mais necessário que seja, não pode substituir as responsabilidades, os compromissos regionais e as obrigações internacionais”.
Para Félix Tshisekedi, o diálogo interno não pode ser invocado para minimizar o acto de agressão, nem para diluir as responsabilidades estabelecidas e exigidas às partes intervenientes no conflito armado. “Como afirmei no meu último discurso no Parlamento sobre o Estado da Nação, a justiça seguirá o seu curso normal, rigorosamente, até ao fim, para se honrar a memória daqueles que foram injustamente vítimas desta agressão”, frisou.
No seu pronunciamento, o líder congolês havia ressaltado que, no actual contexto, a unidade nacional é vital como requisito fundamental em todas as iniciativas de diálogo.
Félix Tshisekedi afirmou, ainda citado pela imprensa local, que caso este diálogo se venha a realizar, “será conduzido em território congolês e liderado pelas instituições da República, em conformidade com a Constituição, as leis e os princípios democráticos que fundamentam o nosso pacto nacional”.
Condicionalismos à implementação dos compromissos
Na visão do Presidente Félix Tshisekedi, a paz genuína exige acções concretas, devidamente calendarizadas e verificáveis.
Nesse sentido, defende a cessação imediata de todo o apoio a grupos armados por parte do Rwanda e a retirada das forças estrangeiras do território soberano da RDC, no quadro dos vários acordos e protocolos por implementar, assim como a estrita adesão aos mecanismos regionais e internacionais e a restauração efectiva da autoridade do Estado congolês em todo o território nacional.
Em Agosto do ano passado, as denominações cristãs da RDC apresentaram um roteiro para iniciar um processo de paz, uma iniciativa que visa fomentar o diálogo nacional inclusivo. Segundo o plano, tal como divulgado pela imprensa congolesa, quatro etapas principais estruturam o referido guião, nomeadamente estabelecer um clima de confiança e de distensão política entre todos os actores, lançar as bases técnicas e analíticas para o processo, reunir as partes interessadas para abordar os desafios da paz e, finalmente, promover a coexistência pacífica na Região dos Grandes Lagos.
Neste quadro, as confissões religiosas instaram o Presidente da República, na sua qualidade de garante da condução dos destinos da Nação, a tomar rapidamente as medidas oficiais necessárias para lançar o referido processo, razão pela qual Félix Tshisekedi deu largo espaço ao tema diálogo nacional inclusivo no discurso de cumprimentos de Ano Novo.